— Que lindo — eu disse quase simultaneamente.
— É — Drew parou do meu lado sorrindo, e alternando o olhar entre mim e o rio. — Ei, me promete uma coisa, tá?
— Lógico — eu disse, realmente disposta a cumprir a promessa que ele iria propor. — Qual promessa?
— Bem... são duas coisas — ele chegou mais perto com Paidy e sorriu —, primeiro: você nunca vai vir aqui sozinha, — assenti, e com um suspiro meio triste completou: — e segundo: você nunca vai contar sobre esse lugar a ninguém.
— Eu prometo — disse sorrindo.
Achei as promessas estranhas, mas então presumi que o lugar deveria ser bastante significativo a ele, tanto quanto a quadra.
Drew começou a fazer caretas e falar com um sotaque francês engraçado, o que deixava-o fofo e pudia jurar que via que os olhos deles não estavam tão tristes como costumavam ser, parecia até ter... alegria neles.
Comecei a rir dele, e ele logo em seguida gargalhou de si mesmo, logo depois de descer e deixar os cavalos bem longe de onde iriamos — eu ainda não sabia onde era —, Drew parou na frente de uma grande pedra cinza — um pouco deformada, mas oval —, bastante larga e comprida.
Drew agarrou minha cintura e começou a me puxar para a pedra, e nos sentamos nela — ele estava com as pernas jogadas dos meus lados, e a única coisa que estranhei era que eu não estava incomodada tanto quanto ficava quando David fazia isso. Olhei para Drew por cima dos ombros e o vi sorrindo, ainda com a mão relaxada em minha cintura então recostei minha cabeça no ombro dele, e sorri também olhando para o céu.
Uma nuvem ia em direção oeste, quando olhei-a pudia jurar ter visto um coração que logo se dissipou dando lugar a uma figura insignificante e sem graça.
Drew puxou minha blusa para trás e então fez com que eu deitasse em cima dele, tentei ir para o lado, mas ele estava apertando minha cintura com força, inclinando-se para pegar um pouco de água ele jogou em mim.
Dei um suspiro irritado, e então levantei o tronco com o máximo de força que podia, enquanto ele ria como um garotinho de seis anos, que acabara de ver o valentão da escola ser humilhado pelo nerd.
— Você é muito idiota Drew! — gritei enquanto ele levantava.
— Não muito diferente de você, né? — Ele chegou mais perto ficando apenas a alguns centímetros de mim, então deu um sorriso travesso.
Olhei para ele com curiosidade, e ele deu mais dois passos a frente ficando bem perto de mim. Reparei que ele é bastante alto — pelo menos para mim, que tinha apenas 1,65 metro — com seus 1,78 metro ele começou a se inclinar, dando-me a impressão que ele iria me beijar, mas não recuei como de costume, apenas fiquei lá olhando-o nos olhos cor-de-avelã, e então ele mordeu minha bochecha.
— Você me mordeu? — Eu disse esfregando minha bochecha. — Você me mordeu! Vai ter troco!
Ele não disse nada, apenas riu e se inclinou um pouco mais — para me morder de novo, eu acho —, então fui mais rápida e mordi-o no nariz afastando-me dele.
— Ai, besta! — Ele começou a vir em minha direção de novo então saí em disparada em direção aos cavalos, subindo o mais rápido que pude em Unsy, que para minha sorte estava deitada.
Drew era muito rápido por causa do basquete, por pouco não me alcançou, mas conseguiu roçar a ponta dos seus dedos em meu cabelo.
Comecei a cavalgar até o estabulo, rindo tanto que mal pude respirar. Depois de colocar Unsy no estabulo, comecei a sair com o tronco contraído e rindo, tinha me esquecido que Drew também havia deixado Paidy no estábulo, e nem o vi indo em minha direção.
Ele murmurou algo como "você vai se ver comigo" e me pegou, deixando-me deitada no colo dele.
— Ei! Eu sei andar, me larga!
— Não, você parece uma macaca andando.
— Afe, você não cansa de ser idiota? — Perguntei, e ele sem responder me jogou na piscina. — Ah! Droga, qual seu problema garoto?
Ele jogou a cabeça para trás e começou a gargalhar, então tirou a camisa e pulou na piscina, e se eu não desviasse ele teria caído em cima de mim.
Xinguei-o baixinho.
Senti um braço em volta de minha cintura, e mesmo sabendo a quem pertencia dei um pulo. Mergulhei e me virei na direção em que ele estava, então o vi, um abdômen realmente definido para um garoto de 17 anos, em forma de V, que fez-me lembrar do abdômen totalmente invejável do Taylor Lautner — mas o de Drew não tinha os músculos tão saltados, e eu gostava assim —, então quase sem ar submergi a superfície.
— Droga — Drew disse pegando em minha mão e levando-me para a lateral da qual me jogou, onde dava para a saída.
— O que houve? — Perguntei olhando em volta.
— Hoje tem campeonato de natação — ele pegou a camisa preta jogada no chão —, se souberem que estivemos aqui, estamos ferrados. A piscina é privada em dias de campeonato, e quando não é dia de campeonato, só os monitores — ele apontou para si mesmo — e os professores podem entrar.
— Ah.
Ele balançou a cabeça, fazendo água espirrar no meu rosto.
Olhei para ele com raiva, mas ele deu um sorrisinho meigo, não consegui ficar brava com ele e logo já estava rindo das caretas, e do sotaque francês dele.
Voltamos para o lago. A pé a distância parecia bem maior, mas quando chegamos, tudo pareceu mais relaxado enquanto o sol batia de relance no meu cabelo, e o barulho do lago me deixava calma.
Drew deitou na grama, e eu fiz o mesmo para não ficar olhando para seu abdômen, ficamos lá até nossas roupas secarem, o que não demorou muito para Drew que havia tirado a camisa, fiquei com um pouco de inveja dele por isso.
Olhei para o lago, então me levantei e fui até ele.
Drew me olhou de soslaio — ainda bem que ele não percebeu o que eu iria fazer —, enchi minha mão em concha de água, e fingi que ia lavar o rosto, e então me virei e joguei nele.
— Ma... mas o que? — Ele disse rindo, então olhando para a roupa recém molhada.
— Desculpa Drew... mas eu não ia ficar molhada sozinha — olhei para ele sorrindo, e ele retribuiu o sorriso.
Fiquei um tempo pensando porque ele ainda não revidara, e então percebi que ele estava perdido nos próprios pensamentos, alguns tão profundos que nem seu olhar dizia.
Mas de uma coisa eu sabia: ele estava confuso em relação a algo.
Ajoelhei-me ao lado dele, e fiquei olhando-o para ver se ele ficava sem graça, mas apenas riu e me puxou, apertando-me num abraço e me deixando um pouco mais molhada.
Não saí daquele lugar, e gostaria de poder ficar lá por um bom tempo. Por quê? Fiquei pensando que era porque eu não estava acreditando em como nossa amizade se desenvolveu tão rápido...
Mas então me dei conta, de que talvez, só talvez, não fosse apenas amizade o que eu sentia por ele, e sim algo mais. Mas logo retirei isso da cabeça, eu gostava de Drew, mas não tanto assim.
Depois de algum tempo, ele disse:
— Você já está seca, quer ir a algum lugar?
— Não, mas... eu preciso arrumar minha parte do quarto — olhei para cima, concentrada no rosto dele.
Nos levantamos e então pulei nas costas de Drew, e fomos até meu quarto.
TO BE CONTINUED...