terça-feira, 1 de novembro de 2011

Can't Stand It - Drew Ingle (5)

            O que? Ela disse "eu quero" mesmo? Devo estar sorrindo igual a um idiota. Droga! Eu estou sorrindo igual um idiota.
            Comecei a girar a chave, abri a porta e fiz um gesto para que ela entrasse na minha frente.
            — A gente pode jogar? — Escutei J. dizer.
            Eu gostava de estar com ela. Ela é ela mesma, não essas garotas cheias de frescuras que fingem ser alguém que não são só para não fazer "merda" na frente dos garotos, acaba que essa é a merda que elas fazem.
            Nós — com nós quero dizer garotos — gostamos de garotas que são elas mesmas, e não dessas que fingem ser o que não são.
            — Sim, mas, eu não quero que você fique mal quando eu ganhar de você.
            — Credo, como você é convencido Drew — Ela riu, nunca vou me cansar de escutar essa risada —, eu jogava basquete quando estava no Brasil.
            — Sério?
            — É.
            — Minha alma gêmea.
            — O que?
            Você.
            — O basquete.
            — Atá.
            É impressão minha ou ela ficou chateada?
            Queria que ela pudesse ler mentes, para saber que quando eu disse "basquete" eu queria dizer você.
            Depois de alguns segundos, começamos a rir. Comecei a ir para um mini-quarto onde guardamos as bolas, e arremessei uma para ela.
            — Resolveu perder de mim, é?
            — E agora, quem é o, ou melhor a convencida?
            Peguei a bola da mão dela e joguei. Cesta!
            — E então, pronta para perder do melhor?
            Jessica pegou a bola ainda quicando do chão, e foi para dois metros atrás de mim. Ela arremessou, e também, acertou.
            — Quem vai perder de quem?
            — Nada mal.
            — Afe, cala a boca. Vai jogar ou não?
            — Tá.
            Começamos a jogar, ela era boa. Muito boa.

            Um tempo depois paramos, quando eu pedi tempo. Qual é? Eu estava perdendo de cinco à nove.
            — Quer horas são?
            Peguei meu celular no bolso da bermuda.
            Não acredito que se passaram duas horas, "quando a gente se diverte, o tempo passa voando". Percebi.
            — Nove e trinta e cinco.
            — Passamos duas horas jogando? — Ela deu uma risada curta.
            — É, acho que sim.
            — Hum, passou rápido.
            Ela sorriu, eu sorri automaticamente. Nunca tinha jogado contra uma garota, não posso subestima-las. Sorri mais ainda quando escutei ela dizer:
            — Ficar com você é divertido.
            Devo estar escutando mal, ou sonhando.
            Ela falou algo que eu queria escutar, não de qualquer garota. Mas que eu queria escutar dela.
            Nessa hora lembranças da pré-escola começaram a vir na minha mente, lembrei de quando eu era apaixonado por uma garota chamada Samantha, ela era bonita, uma das meninas mais populares da escola. Minha amiga, e eu gostava dela. Considero-a meu primeiro amor, mesmo sendo estranho.
            Ela me zoava por eu ser mais baixo que ela, e por eu ama-la. Dizia que eu nunca teria chances, e eu sempre acabava chorando em casa, com meu irmão para me consolar.
            Tenho dó dele, ele nunca vai sentir a dor do amor. É, uma dor pouco conhecida. Pra quem acha que o amor é tipo filme da Disney, está errado. Pois não é, a gente sofre. Mas não é uma dor ruim, é uma dor boa.
            Quando estávamos na sexta série prometi a mim mesmo que nunca mais iria amar uma garota, e foi também quando consegui superar a dor de sua ausência.
            Eu estava indo para a sétima série, ela para a sexta, foi quando ela começou a gostar de mim. Eu tinha começado à me dedicar mais ao basquete, as meninas ficavam "babando" por mim, ganhei músculos. E admito que fiquei mais bonito.
            Então eu entendi o verdadeiro significado de "a gente só dá valor quando perde", e foi assim que prometi nunca mais amar alguém. A pergunta é: terei que quebrar essa promessa, por causa de Jessica?
            — É, ficar com você é bom. — Dei um passo para frente, chegando perto dela — Fora que você ganha de mim no basquete.
            — Ah, coitadinho. — Ela riu. Nós rimos. — Tô torcendo para que um dia você aprenda a jogar.
            Ela começou a subir na arquibancada, e eu fui atrás dela.
            — Eu sou mais alta que você!
            — Não é não.
            Eu disse pegando ela pela cintura e a colocando no chão, ela era no mínimo dez centímetros mais baixa do que eu.
            Jessica começou a me bater, e de novo subiu na arquibancada.
            — Então eu sou mais forte que você.
            — Como você é boba, hein J.?
            Peguei ela no colo jogando-a em cima de meu ombro, colocando-a nas minhas costas.
            — Quem é mais forte agora?
            Sai correndo com ela até o dormitório feminino, enquanto ela ficava me dando socos nas costas e me pedindo pra parar.
            Subi com ela até seu quarto, e abri a porta — esse é o bom de ser monitor: você tem a chave mestra — e joguei-a na cama. Acendi a luz, e deitei ao lado dela.
            — Viu? Eu sou mais forte que você!
            Ela me empurrou da cama, até eu cair no chão e ficou rindo. Comecei a rir com ela.
            — Amanhã termino de te mostrar a escola, já que hoje não deu.
            — Ok, e quando terminarmos posso ganhar de você de novo?
            — Pode, boa noite pequena.
            — Boa noite crianção.
            Sai do quarto dela, e comecei a sorrir.

            Cheguei no meu quarto, e encontrei meu irmão no computador. Como se eu já não estivesse acostumado com isso.

TO BE CONTINUED...
PRÓXIMO CAPITULO SERÁ POSTADO EM 10/11