Comecei a girar a chave, abri a porta e fiz um gesto para que ela entrasse na minha frente.
— A gente pode jogar? — Escutei J. dizer.
Eu gostava de estar com ela. Ela é ela mesma, não essas garotas cheias de frescuras que fingem ser alguém que não são só para não fazer "merda" na frente dos garotos, acaba que essa é a merda que elas fazem.
Nós — com nós quero dizer garotos — gostamos de garotas que são elas mesmas, e não dessas que fingem ser o que não são.
— Sim, mas, eu não quero que você fique mal quando eu ganhar de você.
— Credo, como você é convencido Drew — Ela riu, nunca vou me cansar de escutar essa risada —, eu jogava basquete quando estava no Brasil.
— Sério?
— É.
— Minha alma gêmea.
— O que?
Você.
— O basquete.
— Atá.
É impressão minha ou ela ficou chateada?
Queria que ela pudesse ler mentes, para saber que quando eu disse "basquete" eu queria dizer você.
Depois de alguns segundos, começamos a rir. Comecei a ir para um mini-quarto onde guardamos as bolas, e arremessei uma para ela.
— Resolveu perder de mim, é?
— E agora, quem é o, ou melhor a convencida?
Peguei a bola da mão dela e joguei. Cesta!
— E então, pronta para perder do melhor?
Jessica pegou a bola ainda quicando do chão, e foi para dois metros atrás de mim. Ela arremessou, e também, acertou.
— Quem vai perder de quem?
— Nada mal.
— Afe, cala a boca. Vai jogar ou não?
— Tá.
Começamos a jogar, ela era boa. Muito boa.
Um tempo depois paramos, quando eu pedi tempo. Qual é? Eu estava perdendo de cinco à nove.
— Quer horas são?
Peguei meu celular no bolso da bermuda.
Não acredito que se passaram duas horas, "quando a gente se diverte, o tempo passa voando". Percebi.
— Nove e trinta e cinco.
— Passamos duas horas jogando? — Ela deu uma risada curta.
— É, acho que sim.
— Hum, passou rápido.
Ela sorriu, eu sorri automaticamente. Nunca tinha jogado contra uma garota, não posso subestima-las. Sorri mais ainda quando escutei ela dizer:
— Ficar com você é divertido.
Devo estar escutando mal, ou sonhando.
Ela falou algo que eu queria escutar, não de qualquer garota. Mas que eu queria escutar dela.
Nessa hora lembranças da pré-escola começaram a vir na minha mente, lembrei de quando eu era apaixonado por uma garota chamada Samantha, ela era bonita, uma das meninas mais populares da escola. Minha amiga, e eu gostava dela. Considero-a meu primeiro amor, mesmo sendo estranho.
Ela me zoava por eu ser mais baixo que ela, e por eu ama-la. Dizia que eu nunca teria chances, e eu sempre acabava chorando em casa, com meu irmão para me consolar.
Tenho dó dele, ele nunca vai sentir a dor do amor. É, uma dor pouco conhecida. Pra quem acha que o amor é tipo filme da Disney, está errado. Pois não é, a gente sofre. Mas não é uma dor ruim, é uma dor boa.
Quando estávamos na sexta série prometi a mim mesmo que nunca mais iria amar uma garota, e foi também quando consegui superar a dor de sua ausência.
Eu estava indo para a sétima série, ela para a sexta, foi quando ela começou a gostar de mim. Eu tinha começado à me dedicar mais ao basquete, as meninas ficavam "babando" por mim, ganhei músculos. E admito que fiquei mais bonito.
Então eu entendi o verdadeiro significado de "a gente só dá valor quando perde", e foi assim que prometi nunca mais amar alguém. A pergunta é: terei que quebrar essa promessa, por causa de Jessica?
— É, ficar com você é bom. — Dei um passo para frente, chegando perto dela — Fora que você ganha de mim no basquete.
— Ah, coitadinho. — Ela riu. Nós rimos. — Tô torcendo para que um dia você aprenda a jogar.
Ela começou a subir na arquibancada, e eu fui atrás dela.
— Eu sou mais alta que você!
— Não é não.
Eu disse pegando ela pela cintura e a colocando no chão, ela era no mínimo dez centímetros mais baixa do que eu.
Jessica começou a me bater, e de novo subiu na arquibancada.
— Então eu sou mais forte que você.
— Como você é boba, hein J.?
Peguei ela no colo jogando-a em cima de meu ombro, colocando-a nas minhas costas.
— Quem é mais forte agora?
Sai correndo com ela até o dormitório feminino, enquanto ela ficava me dando socos nas costas e me pedindo pra parar.
Subi com ela até seu quarto, e abri a porta — esse é o bom de ser monitor: você tem a chave mestra — e joguei-a na cama. Acendi a luz, e deitei ao lado dela.
— Viu? Eu sou mais forte que você!
Ela me empurrou da cama, até eu cair no chão e ficou rindo. Comecei a rir com ela.
— Amanhã termino de te mostrar a escola, já que hoje não deu.
— Ok, e quando terminarmos posso ganhar de você de novo?
— Pode, boa noite pequena.
— Boa noite crianção.
Sai do quarto dela, e comecei a sorrir.
Cheguei no meu quarto, e encontrei meu irmão no computador. Como se eu já não estivesse acostumado com isso.
TO BE CONTINUED...
PRÓXIMO CAPITULO SERÁ POSTADO EM 10/11