Estava aberta. Estranho.
Entrei no local então me sentei, no meio da quadra, sozinha. Pensando. Passando e repassando diálogos na minha mente. Um barulho, passos.
Mais um passo, e outro. O ranger da porta, então mais passos. Me segurei para não olhas por sobre o ombro e espiar, apenas fiquei lá, parada, escutando passos.
Uma quicando, parando ao meu lado. Era laranja, com grossas linhas em preto, silenciosa. Peguei-a na mão, e fiquei olhando-a. Então cedi ao desejo de olhar para o lado, vi Drew, olhando para mim.
— O que está fazendo aqui, sozinha? — Ele sorriu, e sua voz pareceu mais calma quando continuou: — E como conseguiu entrar?
— A porta estava aberta, e... — fiquei observando ele sentar-se ao meu lado — vim pensar, você disse que isso te ajudava... Pensei que... poderia me ajudar também.
— E conseguiu?
— Não, eu acho. — Disse com um longo e pesado suspiro.
— Acha? Por quê?
Um sorriso clareou os olhos de Drew, e fez com que eu sorrisse também. Apoiei minha cabeça no ombro dele e senti que o braço dele envolvia minha cintura.
Com meu pé, comecei a brincar com os pés descalços e molhados de Drew.
— Há uma coisa que não me permite pensar em nada — senti minhas pálpebras pesando, mas senti que tinha que terminar aquilo, não me permiti dormir —, em nada, que não seja ela, ou ele.
— Sério? — acariciando minhas costas, senti um sorriso, e um beijo por cima dos meus cabelos, suspirei, e então assenti com a cabeça — Isso anda acontecendo comigo também. Mas... O que seria essa coisa?
— Não sei... — hesitei em responder, apenas olhando o rosto de Drew, vendo o sorriso desaparecer. Eu estava com medo. Medo de dizer que essa "coisa" era ele. Medo de que todos os momentos que passamos juntos, desaparecessem assim que eu respondesse — O que seria essa sua coisa?
De novo um sorriso estampou-se no rosto de Drew, apertando-me um pouco mais ele colocou a boca próxima de meu ouvido e sussurrou:
— Você.
Corei, não entendendo a minha reação, me afastei dele, e então sorri, chegando mais perto novamente, ficando frente-a-frente com ele.
Olhando um nos olhos dos outros o silêncio se arrastava, sorrindo, chegávamos mais perto um do outro cada vez mais, e mais, e mais. Até que nossas testas se tocaram, sentindo o hálito fresco de Drew na minha face, e então...
— Jéssica acorda!
Candy sorriu ao ver meus grandes olhos semicerrados, esfregando a mão neles.
— Hoje é domingo Candance! — sorri, falsa e cansadamente tímida, puxando a coberta até o queixo, e me virando. — Tenho o direito de dormir até darde. Que horas são? Cinco?
Ela revirou os olhos e balançou um bilhete na cor creme com vermelho na borda. Com um sorriso dramático e maliciosamente branco ela o abriu e começou a ler, em voz alta:
— J., ainda quero trégua no nosso jogo. Te encontro no refeitório as 9h a.m. Desculpa não ter mandado mensagem, ainda não tenho o seu telefone. Drew. — Ela suspirou — Que meigo, agora se levanta e vai se arrumar. Já são 8h30 ninguém quer se atrasar num "encontro" com um gato daqueles, quer?
Levantei da cama, comecei a pegar minha roupa lentamente, e então fui me trocar. Coloquei um vestido florido, rosa, um pouco acima do joelho, e uma sandália nude.
Quando sai do banheiro Candy que estava lendo um livro, o qual não vi o título disse:
— Vai jogar com essa roupa? Quer o que? Que ele veja sua calcinha?
— O que? Jogar?
— Trégua. Jogo. Drew. Basquete. Sim jogar.
— Ah, verdade... — Respondi tocando meu pescoço com a mão, estava um pouco dolorido.
Peguei uma grande camisa do Brasil com um gigante número 8 e "J. Winky" estampado atrás, na frente, por sua vez estava escrito "BRASIL" com letra maiúscula e em negrito, e um shorts de vôlei branco — mas a blusa o cobria.
Quando sai do banheiro estava esperando que ninguém notasse, mas logo que sai prendendo meu cabelo num rabo-de-cavalo Candy sorriu e disse quasse sussurrando:
— Você é brasileira?
— É, sim — eu disse olhando para a minha blusa — Por quê?
— Nada, é só que... Sinto saudades de lá.
— Você é do Brasil também? Que mágico!
— Sim, sou de minas. — Ela disse em português, com um sotaque mineiro. — Vim para N.Y. quando tinha 9 anos, e estou aqui desde então.
— Legal! Que inveja, aos 9 anos a única coisa que eu sabia falar em inglês é "i love you' — nós duas rimos.
Candy olhou para o relógio. E com uma cara espantada olhou para mim, dizendo;
— Já são 8h45, temos que ir correndo!
Começamos a ir em direção ao refeitório não muito depressa, conversando sobre o Brasil, sobre Drew, e Cole entrava algumas vezes nas conversas.
Chegamos perto do refeitório, então Candy sorriu. Olhando para mim, ela perguntou:
— Então princesa, se alguém ficar sabendo que Drew te chamou para um "encontro" está pronta para ser odiada por metade da escola, e ser interrogada segunda se for falar com a Olivia? — Começamos a rir.
— Pra falar a verdade: não. Mas eu aguento.
Rindo avistamos Drew sentado nos degraus do refeitório balançando os pés parecendo impaciente.
TO BE CONTINUED...
TÔ TENTANDO PASSAR O MAIS RÁPIDO QUE POSSO PRA CÁ.